Faz um ano que passei por aqui
e mais uma vez, quanta coisa se passou!
E mesmo sendo um clichê ou um ciclo...
me surpreende perceber a evolução!
O tempo passa e invariavelmente mudamos!
a experiência que sorvemos a medida em que se passam os dias, é certa!
Me sinto bem ao ver que não estamos parados
e que envelhecer pode ser um processo...
tal qual o vinho que jaz em uma adega
e com o tempo só melhora!
É verdade que nem tudo são flores!
Mas o meu jardim há de continuar lindo...
sempre a florescer!
domingo, 7 de agosto de 2011
terça-feira, 29 de junho de 2010
A noite
Não são todas, as noites que nos revelam uma surpresa!
Poderia por elas, as noites,
me deixar levar a contento
satisfazer o que busquei em um vão momento
e depois me deitar e dormir, dormir!
Mas não são todas as noites que enchem os corações!
Temo conhecer os passos dessa estrada
que me levam noite a dentro
e nunca sei onde vai dar!
Ainda assim, não são todas, as noites em que me vejo acalanto!
Prefiro ainda acreditar no homem e em sua essência
e viver a minha inocência
e a transparência de ser feliz!
As noites já não são iguais!
Poderia por elas, as noites,
me deixar levar a contento
satisfazer o que busquei em um vão momento
e depois me deitar e dormir, dormir!
Mas não são todas as noites que enchem os corações!
Temo conhecer os passos dessa estrada
que me levam noite a dentro
e nunca sei onde vai dar!
Ainda assim, não são todas, as noites em que me vejo acalanto!
Prefiro ainda acreditar no homem e em sua essência
e viver a minha inocência
e a transparência de ser feliz!
As noites já não são iguais!
sexta-feira, 19 de março de 2010
O complemento
Um grande amigo, ainda comentando meu último escrito, decidiu completá-lo, e sua despretenciosa intenção não poderia ter sido melhor...
"Deus, permita-me sonhar e transformar este sonho em realidade. Faça-me juíz e ao mesmo tempo juíz, anjo e demônio. E principalmente, faça-me feliz com o que puder ter e o que construir para minha vida."
Carlos Eduardo Moraes
"Deus, permita-me sonhar e transformar este sonho em realidade. Faça-me juíz e ao mesmo tempo juíz, anjo e demônio. E principalmente, faça-me feliz com o que puder ter e o que construir para minha vida."
Carlos Eduardo Moraes
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Oração do que não crê
Oh Deus!
Dai me paciência para esperar...
ou sabedoria para entender a demora!
Serenidade para lidar com minhas limitações
Transforma meus minutos em horas!
Dai me amor para dar aos meus amores!
Paladar para todos os sabores!
Dai me o vinho e também o pão!
Dai me tudo o que eu não pedi
por achar demais pedir tudo!
Confia em mim
e em minha verdade
também em toda minha intenção!
O que eu quero não é muito!
Quero apenas o que todos querem!
Quero o meu "sim" e o meu "não"
Quero "tudo ao seu tempo"
Quero tudo agora!
Não quero ter que esperar
E esperar para ter!
Quero inovação
ambição
força
mais amor
coragem
e a fé que nunca tive...
e que talvez seja maior do que a fé de muitos
e dos mundos que eu vivo!
Quero poder acreditar em mim mesmo
e em tudo o que esta por vir
seja como for!
Dai me paciência para esperar...
ou sabedoria para entender a demora!
Serenidade para lidar com minhas limitações
Transforma meus minutos em horas!
Dai me amor para dar aos meus amores!
Paladar para todos os sabores!
Dai me o vinho e também o pão!
Dai me tudo o que eu não pedi
por achar demais pedir tudo!
Confia em mim
e em minha verdade
também em toda minha intenção!
O que eu quero não é muito!
Quero apenas o que todos querem!
Quero o meu "sim" e o meu "não"
Quero "tudo ao seu tempo"
Quero tudo agora!
Não quero ter que esperar
E esperar para ter!
Quero inovação
ambição
força
mais amor
coragem
e a fé que nunca tive...
e que talvez seja maior do que a fé de muitos
e dos mundos que eu vivo!
Quero poder acreditar em mim mesmo
e em tudo o que esta por vir
seja como for!
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
E a vida?
Vida efêmera
Vida tudo
Vida nada
Viver é isso
Viver é nada
E é assim
num dia se está
no outro não!
Porque tudo isso
será tudo em vão?
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Andança
Como é bom admirar o universo das descobertas de tudo que é tão simples e que depois deixamos passar pelo óbvio!
Como é bonito vê-la com a disposição de quem pode dar a volta ao mundo sem se cansar!Como é bom assistir a chegada da liberdade plena, pura e simples que é a de poder andar com os próprios pés num caminho ainda a se traçar!
Entre outras coisas ver o mundo sob outra perspectiva...
Correr...
...e novamente brincar
mas só que agora com a mobilidade que não havia antes do medo!
com a agilidade que não havia antes do passo!
Como é bom contemplar a mais pura forma da inocência...
como é bom!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
A falta e o tédio
Os dias andam tão longos que *"é um tédio que é até do tédio arroja-me á praia"
muito o que fazer e nem tanta vontade assim
sigo levando um amontoado de coisas em mim!
Sinto-me inerte no fluxo das horas
enquanto espero a todos que eu quero
para então estarem a minha volta!
...o desejo de quem ama!
...a angustia de quem tem saudades!
querer nunca estar só!
É como se tivessemos tudo
e nada estivesse em nossas mãos!
conforta saber que se tem...
frustra não ter como tocar!!
Mesmo que seja um breve momento
e não seja motivo suficiente para meu total desalento
melhor é saber que em minha vida
meus amores sempre irão estar!
* Trecho retirado do poema Lisbon Revisited - 1926- Fernando Pessoa
muito o que fazer e nem tanta vontade assim
sigo levando um amontoado de coisas em mim!
Sinto-me inerte no fluxo das horas
enquanto espero a todos que eu quero
para então estarem a minha volta!
...o desejo de quem ama!
...a angustia de quem tem saudades!
querer nunca estar só!
É como se tivessemos tudo
e nada estivesse em nossas mãos!
conforta saber que se tem...
frustra não ter como tocar!!
Mesmo que seja um breve momento
e não seja motivo suficiente para meu total desalento
melhor é saber que em minha vida
meus amores sempre irão estar!
* Trecho retirado do poema Lisbon Revisited - 1926- Fernando Pessoa
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Seja bem vindo!
Antes de qualquer coisa...
não diga nada!
Sinta apenas o que o vento trás a você!
Viva cada palavra...
viaje em teus pensamentos!
Permita-se a tudo que antes não fez!
Seja bem vindo!
As portas estaram sempre abertas
a aqueles que merecem entrar!
Teu espírito, tua presença
podem mesmo tudo mudar!
Transformar você!
Refazer a mim!
Imprimir inércia ao que parado está!
Dar movimento aos desejos contidos
Rumo às vidas que se dispersaram
e a tudo o que não queremos abdicar!
Bem vindo à vida!
não diga nada!
Sinta apenas o que o vento trás a você!
Viva cada palavra...
viaje em teus pensamentos!
Permita-se a tudo que antes não fez!
Seja bem vindo!
As portas estaram sempre abertas
a aqueles que merecem entrar!
Teu espírito, tua presença
podem mesmo tudo mudar!
Transformar você!
Refazer a mim!
Imprimir inércia ao que parado está!
Dar movimento aos desejos contidos
Rumo às vidas que se dispersaram
e a tudo o que não queremos abdicar!
Bem vindo à vida!
domingo, 28 de junho de 2009
Estatuto do Homem (Ato Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
Agora vale a vida, e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre o coração do homem.
Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964
Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1926) é um poeta brasileiro.Natural do Estado do Amazonas, é um dos poetas mais influentes e respeitados no pais, reconhecido como um ícone da literatura regional.Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou a sua grande cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje.Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.Em homenagem aos seus 80 anos, completados em 2006, foi lançado, pela Karmim, o CD comemorativo A Criação do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos últimos 55 anos, declamados por ele próprio e musicados por seu irmão, Gaudêncio Thiago de Mello.
Fica decretado que agora vale a verdade.
Agora vale a vida, e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre o coração do homem.
Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964
Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1926) é um poeta brasileiro.Natural do Estado do Amazonas, é um dos poetas mais influentes e respeitados no pais, reconhecido como um ícone da literatura regional.Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou a sua grande cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje.Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.Em homenagem aos seus 80 anos, completados em 2006, foi lançado, pela Karmim, o CD comemorativo A Criação do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos últimos 55 anos, declamados por ele próprio e musicados por seu irmão, Gaudêncio Thiago de Mello.
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