sábado, 14 de junho de 2008

Cansaço


Estou tão cansado...
e com tanto a fazer que assim não sei dizer
se a razão é mente ou matéria!

Não sei dizer se basta repousar
minha cabeça no travesseiro amigo,
ou meu corpo em cama etérea!

Estou cansado!

Mesmo sabendo que não posso me cansar!
Na inquietude do futuro que há de chegar
Pela conseqüência do meu ontem... meu hoje
onde minha energia vem habitar...
me cansei!

Cansei de parecer ter tudo
e nada ter!
De não parar...
nem me esconder!

De não descobrir como
minhas coisas guarnecer...

Preciso de coisas mais fáceis!
Acessíveis ao que posso ter!
Mas que sejam diferentes do ócio
e tudo mais que eu não quero ser!

Quero não ter que me preocupar
Simplesmente viver
E não saber o que será!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Mãos

E mesmo impressionante
o quanto se pode viver
em tão pouco tempo!

Sentir-me como as gotas de chuva
na iminência de precipitar...
queda livre e surpreendente
onde não se escolhe estar!
Um turbilhão a suceder
que a mim não cabe controlar!

E como ter notadas as mãos,
Mas de uma maneira que só eu as percebi!
De modo tão lúdico e banal...
mas tão importante...
que não haveria como mensurar!

Sempre gostei das minhas mãos,
E as encarei como referência de vaidade...
Do corpo...
E da alma!

Porque me sinto assim?
Para que servem minhas mãos então?
Se tal qual a chuva que cai
Não passaremos mesmo do chão?
E nem sempre a guisa de amparo
Poderei usar minhas mãos?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Perceber

Tal qual a mágica que não ensejo
me perco no reflexo do que vejo
percebendo no outro...
o que estas linhas não poderão contar!
Vejo nos olhos o frescor
das cores, as coisas e o desejo
que um belo sorriso contido
não tarda revelar!
Careces não de ti,
mas de quem cuide de teus “ais”!
Desperta-me a vontade
de tomar-te ao colo
e tua alma acalentar!
Seja leve meu anjo!
Permita-se conhecer
e a tua alma antever
o que apenas os olhos...
não irão lhe mostrar!!!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
e vou sendo como posso!

Jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos,
e pela lei natural dos encontros...

eu deixo e recebo um tanto
e passo aos olhos nus,
ou vestidos de luneta!
Passado, presente, particípio
sendo o mistério do planeta!

O tríplice mistério do stop
que eu passo por e sendo ele,
no que fica em cada um

No que sigo o meu caminho,
e no ar que fez, que assistiu
Abra um parênteses...
Não esqueça!

Que independente disso
eu não passo de um malandro!
De um moleque do Brasil!
Que peço e dou esmolas,
mas ando e penso sempre com mais de um
Por isso ninguém vê minha sacola!

Moraes e Galvão

Minha casa

Em minha casa eu recebo
aqueles que fazem parte dos meus...
Meus amigos,
meus laços!
Até quem não conheço
e por fim, à minha vida acato!
Minha casa é pequena!
Mas grande o suficiente
para ter-me dentro dela!
Tem portas e janelas...
como quase toda casa tem!
Por onde muitos entram...e saem
Num discreto e contínuo vai e vem!
Tem um jardim
onde posso sentar
contemplar um pouco do meu universo particular!
Sentir de onde o vento e suas coisas vêm,
e minhas idéias organizar!
Tem paredes
que não me prendem!
Ao contrário...
Fazem é me abrigar!
Minha casa é mais do que uma casa
Ela é meu porto seguro
Onde faço minha morada, o meu lar!
Por isso esteja à vontade
Não hesite em entrar
Só peço...
não a deixe em desordem
pois sozinho, não a consigo arrumar!

terça-feira, 20 de maio de 2008

O inacabado que há em mim

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina. Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo.O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis. Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil. Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar. Se a mim for concedido o direito de pausas repositórias, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.
Este texto é de autoria do Pe. Fábio de Melo. Resolvi postá-lo aqui porque, além de tê-lo achado muito bonito, chegou as minhas mãos de uma maneira, no mínimo, muito curiosa.

domingo, 18 de maio de 2008

Ledo engano

Quando achamos que já vimos de tudo um pouco nesta vida,
descobrimos que sempre haverá mais a nos ser apresentado!
Coisas que nem sempre tem uma ligação íntima com nos mesmos,
mas que nos assustam
e criam a cretina sensação
de que temos o direito de dar algum juízo de valor!
Que direito tenho eu de pensar assim?
As pessoas são o que elas são!
A nós cabe apenas respeitá-las
...e porque não amá-las!
Sei bem o que me move até aqui
para desaguar em palavras o reflexo do que vejo!
Talvez o meu reflexo!
É no mínimo estranho...
mas é porque não nos preparamos para a vida do outro!
No fundo enxergamos mesmo só o fundo do próprio umbigo
e de lá só saímos quando uma forte pancada
nos atinge a cabeça numa noite qualquer!
Sábio o poeta que disse...
”Não há o que perdoar, por isso mesmo e que há de haver mais compaixão!”
Talvez soubesse de fato sobre o que estava falando!
Ou não!
Frente a tantas surpresas com que nos deparamos
ao longo de nossas vidas corridas
cheias e vazias de tudo, sobre o que não sabemos discernir!
Mas isso não importa!
Vale é lembrar que podemos ser mais atenciosos...
e menos egoístas!
E quando pensarmos no outro,
que não seja apenas para julgar
e sim para ouvir!
Para que percebamos que,
além de toda a estupidez que nos cerca
há muito mais do que se possa imaginar!
Então... “não dou amor, mas também não prego”
Como poderia me esquecer?
As opções não são necessariamente pecados!
Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou!

Pense

Vinde a mim
Você que não sabe o que quer
E assim como eu busca sem cansar
As vontades do teu ser
A razão de o teu caminhar
Vinde a mim
E descubra que só se perde
Aquele que diz saber quem és
Que só se encontra
Quem se perde na própria essência
E que disperso nele mesmo
Descobre outro alguém ao invés
Toma-me ao teu reflexo
E acorda para o sonho que é viver
Onde as fábulas acontecem
Escancaradas a você
E delas nem nos damos conta
Deixamo-las passar...
Buscando-as em outro lugar
Longe de onde acreditamos
que as possamos encontrar!
“sonhos... são idéias que não colocamos em prática!”
Portanto, não invente
Não crie mais táticas
Faça-os acontecer
Pratique o que você quer ser
Faça de teus sonhos...
Idéias a se converter!
Não idealize mais
Viva pra valer!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Problemas

Como tudo muda ao longo dos dias!
Num dia sou problema
no outro solução!
Uma hora dilema
noutra o cerne da questão!
Circulo entre os percalços da vida!
Amo, penso
Cuido da ferida
E nada disso é em vão!
Surjo de um lado como expectador
Do outro... interlocutor
e assim as histórias se repetem!
Não sou a solução para ninguém!
Estou aprendendo não doar
O que não se tem!
E descobrindo algo muito maior
Em viver o que se é!